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A cautela no consumo de água nos condomínios.

Ser cuidadoso com a água é um ato de sabedoria. Nós brasileiros, de maneira geral, temos a falsa sensação de abundância deste bem precioso ofertado pela natureza, mas que na dinâmica sócio-política mundial, atravessa um período de crises constantes. No bojo das interações nos condomínios, moradores, síndicos e demais funcionários podem se unir para a promoção de ações que tenha como propósito, viabilizar o uso consciente da água. Um dos primeiros passos na seara administrativa é por meio da matemática. O consumo diário de cada unidade pode ser observado por meio de cálculos, numa estratégia de controle que permite ao síndico saber os pontos exatos de massificação de sua campanha de conscientização.

O uso da água da chuva para regar os jardins e cuidar da limpeza das áreas externas dos condomínios é uma realidade em muitas administrações ecologicamente conscientes. O síndico precisa instruir os responsáveis pelos serviços gerais, bem como os zeladores e porteiros. Além das campanhas de conscientização veiculadas nas redes sociais, e-mails, circulares e outros suportes de transmissão de informações entre administradores e condôminos, o profissional precisa investir na individualização dos hidrômetros, no mencionado reuso da água, na economia nas áreas comuns, etc. No que tange ao reuso mencionado anteriormente, utilizar regador no campo da jardinagem, haja vista o maior consumo quando utilizamos a mangueira como recurso.

Diante dos fenômenos naturais que não partem do entendimento oriundo exclusivamente de uma vivência dentro do discurso científico e acadêmico, sabemos que as plantas dos jardins devem ser regadas sempre no começo da manhã e final da tarde. O motivo é a simples questão da evaporação da água. No inverno, pede-se que as plantas sejam regadas em dias alternados, de preferência, nos primeiros horários, pois com a baixa temperatura, o contato com a água pode gerar a proliferação de fungos indesejáveis para a manutenção, algo que pode trazer custos para a sua administração condominial. Ainda na reflexão sobre as áreas externas, importante levantar algumas observações sobre a economia de água nas piscinas.

Você sabia que uma piscina sem cobertura fixa ou qualquer outro mecanismo de proteção para os momentos em que se encontra em desuso, ao longo do tempo de exposição ao sol, evapora em média 3.785 litros de água por mês? É um dado que ao adentrar a sua agenda de administração, permitirá resultados efetivos e o provável sucesso de sua gestão. A média em litros apresentada no questionamento é o suficiente para suprir as necessidades de consumo para bebida de uma unidade com quatro pessoas por um período de um ano e meio. Diante do exposto, enquanto a piscina não estiver em uso, invista numa capa protetora para evitar a evaporação. É uma alternativa que também colabora com o menor índice de sujeira na água, oriunda dos espaços abertos.

As operações de manutenção precisam passar por um processo de interpretação e análise quando agendadas, em especial, o barrilete, conjunto de tubulações prediais originadas nos reservatórios, com derivação para as colunas de distribuição, bem como a inspeção visual do nível do reservatório. Ainda no âmbito da manutenção, torna-se obrigatória a revisão das válvulas de retenção na caixa de entrada dos hidrantes dos prédios, tendo em vista viabilizar o trabalho do Corpo de Bombeiros caso seja necessário, em algum momento emergencial. A inspeção das colunas e registros também permitem que tudo esteja em ordem no quesito segurança do trabalho para as pessoas selecionadas para o exercício da manutenção.

Dentre outras ações com funcionamento devidamente comprovado, está o fechamento do registro de entrada para evitar que haja acúmulo de ar nos encanamentos e assim, o hidrômetro marque o fenômeno como água consumida. De maneira cuidadosa, o síndico pode fazer o levantamento do consumo em todo o condomínio e colocar o tópico como um dos destaques nas assembleias, tendo em vista atingir os seus objetivos de conscientização. É uma maneira de ser observado não apenas como o profissional que se preocupa com as dimensões financeiras, mas que também traz em sua bagagem, uma preocupação ecológica, afinal, os debates sobre o esgotamento da água potável em todo o planeta é tema constante de reportagens, documentários e até mesmo na seara do senso comum, nas conversas corriqueiras do cotidiano. 

Leonardo Campos
Graduado e Mestre em Letras, atua como crítico de cinema e consultor de Redes Sociais, com foco no Instagram. É docente do módulo Comunicação do Curso de Formação para Síndico Profissional da ACS Condomínios.

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