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Transporte Vertical de Pessoas

A manutenção do transporte vertical em condomínios deve ser algo a integrar o planejamento anual deste tipo de empreendimento, como pede a NBR 5674, norma da ABNT que estabelece os requisitos para a gestão do sistema de manutenção de edificações, de modo evitar a queda do desempenho devido ao processo de depreciação de seus sistemas, equipamentos e componentes. Esta é uma regra que está em consonância com a NBR 16083/2021, que prevê manutenção de elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes, responsável pelas diretrizes que estabelecem as incumbências e a autonomia de decisão dos envolvidos, informações pertinentes e fluxo de comunicação que tenha como foco, a preservação do desempenho previsto em projeto ao longo do tempo, minimizando o processo de precarização patrimonial. Tendo as regras normativas como direcionamento em sua gestão, a pessoa na posição de síndico precisa se atentar aos mecanismos da manutenção preventiva, ação que demonstra a gestão preocupada com as possíveis negligências que podem comprometer o desempenho, a segurança e a salubridade dos prédios que administra, além de evitar gerar custos econômicos e ambientais evitáveis.

Dentre as suas funções, é tarefa do síndico observar se na organização, está previsto algum projeto de infraestrutura material, técnica financeira e recursos humanos capazes de atender aos diferentes tipos de manutenção, isto é, de rotina, corretiva ou preventiva, necessárias para o bom funcionamento do transporte vertical no espaço condominial que administra. Outro ponto importante é o procedimento de registro dos pormenores ligados ao processo de manutenção. Os relatórios de inspeção geralmente obedecem ao que está previsto na NBR 14037 e ao programa de manutenção de cada edificação. Neste documento, a redação deve conter as reclamações e solicitações dos usuários, proprietários, um roteiro de inspeção dos sistemas, subsistemas, elementos, equipamentos e componentes da edificação, bem como as formas de manifestação esperadas da degradação natural. Informar a vida útil é essencial, apontar sempre que possível os prognósticos de ocorrências e estimar a perda de seu desempenho: recomendações basilares para minimização de serviços que podem não estar dentro do esquema de programação.

Condomínios com bons projetos de manutenção garantem prolongamento de seus maquinários e bom funcionamento do transporte vertical ofertado aos moradores, garantindo segurança e satisfação, algo importante para manter uma perspectiva positiva em torno da figura do responsável pela administração. Máquinas, tal como sabemos, passam por desgastes, por isso, a manutenção e modernização garante economia de energia em até 40%, além de redução nos custos de reposição de peças, nivelamento preciso, aumento da sensação de segurança, um dos pontos mais importantes, juntamente com o conforto e a valorização do patrimônio. Para garantir que tudo funcione da melhor maneira possível, é importante que o síndico tenha o costume de afixar dicas de segurança constantemente, observar o funcionamento dos elevadores num espaço regular de tempo, estimular o uso correto de todos, juntamente com o agendamento preciso das datas para manutenção, obedecendo aos critérios delineados no parágrafo anterior, afinal, os elevadores, conjunto de equipamentos com acionamento hidráulico ou eletromecânico não conduzem apenas bens materiais, mas um bem mais precioso: transportam vidas. 

Em tempo, deixamos algumas dicas de como manter o transporte vertical de pessoas no condomínio mais seguro e com menos incidências de situações possíveis de acontecer, mas que podem ser evitadas se houver um manuseio zeloso por parte de todos os circundantes. Primeiro, vamos falar sobre água e eletricidade, elementos que não combinam: lavar os espaços próximos aos elevadores pode ser um problema, caso escorra algo para os vãos e portas e assim, atingir o circuito elétrico do transporte em questão. Além de afetar os mecanismos de checagem do elevador, responsáveis por sinalizar se as portas se encontram devidamente travadas, o uso de água em áreas próximas pode danificar a aparelhagem e trazer custos inesperados, e assim, criar uma situação financeira dispendiosa e prejudicial para a gestão do síndico. Por isso, torna-se importante conscientizar condôminos e funcionários, tendo em vista evitar este tipo de conflito. Outra coisa é criar em campanhas pelos canais de comunicação, ressaltando hábitos de moradores, tais como sair e deixar a máquina de lavar roupas em funcionamento. Há registros de casos sobre o transbordar de água que escorreu, chegou aos elevadores, trouxe problemas nos circuitos e ainda danos pequenos, mas indevidos, para apartamentos vizinhos.

Nos elevadores, nem sempre cabe mais um, no entanto, ainda há usuários que insistem em driblar as regras e fazer uso inadequado do transporte vertical. O limite para o peso a ser transportado deve ser respeitado em qualquer circunstância, pois é um tipo de deslocamento que pede bastante esforço do maquinário. Recentemente, uma reportagem abordou estes riscos ao versar sobre um condômino teimoso que tentou subir os materiais de construção para uma reforma em seu apartamento. O elevador sequer saiu do lugar ao ser acionado e o esforço promover a queima do motor. A empresa prestadora de serviços teve que intervir, rebobinar o aparelho e ainda emitiu uma cobrança que a depender da situação, pode custar entre 3 e 7 mil reais, além do registro como vandalismo no ato de avaliação do problema. Quem paga a conta? Algo para refletir, pois o uso inadequado por excesso de peso pode causar partidas mais lentas, desnivelamento dos andares e autodesligamento, problema que não é tão simplório quanto se imagina, pois para retirar possíveis condomínios presos no interior de um elevador, é preciso a presença de um técnico. E, com a presença de um profissional, temos custos não programados para o síndico assumir.

Ademais, elevador não é lugar para escorar, tampouco servir de pula-pula. Mas constantemente, condomínios apresentam situações de usuários que esquecem as regras e tornam o manuseio do transporte vertical problemático. Um exemplo disso foi o caso recente de dois jovens que ao subir para o andar que acionaram, brincaram de empurrar um ao outro, conforme registrado pelas câmeras do circuito de segurança do empreendimento de habitação. Nesta indevida situação, o elevador travou, a porta saiu dos trilhos e a empresa prestadora de serviços emitiu uma cobrança no valor de quase 8 mil reais, tamanho o dano causado pela dupla desatenta aos códigos de manutenção e segurança. Empurrar, pular e se escorar são verbos que não devem receber conjugação prática alguma enquanto os usuários estiverem em seus respectivos deslocamentos. Zelar é necessário, por isso, conscientizar não apenas em assembleias, mas pelos canais de comunicação do condomínio que administra é uma tarefa cotidiana da pessoa na posição de síndico consciente da importância de realizar manutenções técnicas e também, comportamental, salvaguardadas as devidas proporções, das pessoas que circundam por estes espaços.

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