Comunicação Escrita nos Condomínios

Um síndico profissional não precisa ser um exímio estudioso do campo das Letras. Há peculiaridades gramaticais na publicação de um documento que pode passar por um revisor especializado em especificidades da língua portuguesa, no entanto, precisamos refletir sobre estratégias para uma escrita mais conectada com as regras da norma culta, estabelecida em nossa sociedade como um meio de delimitar padrões. O breve artigo que você, caro leitor, vai acompanhar agora, é baseado num acontecimento da nossa realidade, enquanto realizava uma das tantas travessias verticais da minha dinâmica cotidiana presencial em escritórios e na visitação de clientes para consultorias. Num dos elevadores, um comunicado me saltou aos olhos e não pude deixar de registrar o seu conteúdo para algumas observações para todos os envolvidos na administração condominial, em especial, os síndicos. Observe o quadro abaixo, inspirado num informe recente, contemplado por quem vos escreve. Excesso de exclamações, palavras em caixa alta, descuido com a concordância verbal, dentre outros equívocos.

Podemos perceber logo no começo a falta de preocupação com elementos básicos de diagramação. Acredite: você não precisa ser um design publicitário, mas quanto mais atraente e organizado for o conteúdo de seus comunicados, maiores são as chances das informações atingirem os condôminos, visitantes, dentre outros que circulam pelos empreendimentos habitacionais que você supervisiona. Dito isto, vamos agora para as questões que envolvem a falta de cuidado com a escrita, haja vista a quantidade gritante de incorreções gramaticais. Hoje, os corretores de programas populares, tais como Microsoft Word e Power Point, já fazem a devida correção de acentuação, pontuação e até ajustam palavras escritas incorretamente, muitas vezes, por falhas na digitação. Revisar, por sua vez, é um momento importante, desde o mais simples informativo, aos documentos oficiais, legendas da rede social do condomínio, dentre outros suportes por onde o seu texto escrito será veiculado, lido e observado por todos.

Neste comunicado, vocábulos simplórios como máscara, demais e cuidado aparecem destacados com erros. Falta também concordância no texto, pois ao lermos, não fica muito claro o que deve ou não ser feito por aqueles que circulam pelos elevadores e áreas comuns do empreendimento. Ademais, o registro é bastante pecaminoso nas regras básicas de comunicação, pois expõe um alerta de maneira agressiva, com diversos trechos em caixa alta. Para quem não sabe, escrever em caixa alta e negrito, nesta situação em específico, denota que há gritos por parte de quem está assinando o informe. Além disso, ao citar que há uma lei que reforça a obrigatoriedade no uso das máscaras, o autor é vago e sequer teve o mínimo trabalho de pesquisar na legislação para reforçar o conteúdo de seu comunicado. Uma simples passada no Google evitaria mais essa lacuna neste informe vago, escrito sem a mínima preocupação comunicacional. Em linhas gerais, um material que deve ser evitado por qualquer pessoa síndica que se preze.

O que valorizamos aqui é a importância de incentivo da leitura. Você, na posição de síndico, precisa de repertório para dialogar com os colaboradores, parceiros e, principalmente, com os condôminos. Expor um conteúdo do tipo é uma exposição que, de certa maneira, danifica a imagem de sua administração, por mais eficiente que o seu trabalho seja. Quando estudamos linguística, descobrimos que a noção de “erro” é bastante arbitrária, pois de acordo com a sociolinguística, por exemplo, “probrema” é tão compreendido quanto “problema”, mas em nossa sociedade regida pela norma, nós temos que seguir determinadas diretrizes para manter a comunicação dentro de um eixo aceitável, tendo em vista reafirmar a nossa capacidade de ocupação para certas posições. Neste caso, espera-se de uma pessoa síndica um indivíduo articulado, educado, gentil e que saiba ler adequadamente, bem como interpretar, para logo depois, transferir informações aos demais envolvidos nas dinâmicas condominiais cotidianas.

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